Os cinco erros mais comuns que os advogados cometem ao palestrar

Os Cinco Erros Mais Comuns Que Os Advogados Cometem Ao Palestrar

Os cinco erros mais comuns que os advogados cometem ao palestrar

Em meu último artigo, falei a respeito da estratégia de prospecção de clientes através da realização de palestras informativas.

No texto, um dos requisitos que menciono para aproveitar a estratégia, é apresentar bem a palestra, aqui envolvida a capacidade de organizar um discurso coerente, equilibrado e adaptado a seu público.

É nesse ponto que o advogado normalmente trava, e muitas vezes, apenas por não estar disposto a abandonar certos erros de estimação repetitivos, que foram internalizados como condutas depois de anos e anos.

Entre tais erros, se destacam os seguintes:

  1. Cair em vícios linguísticos frequentemente;
  2. Dedicar tempo em excesso para agradecimentos;
  3. Falar em linguagem excessivamente jurídica;
  4. Citar jurisprudências e doutrinas desnecessariamente;
  5. Ter uma postura arrogante.

Vamos analisá-los, um por um.

1. Cair em vícios linguísticos frequentemente

Sou partidário de que erros em uma palestra podem passar despercebidos desde que o restante do conteúdo seja bom o suficiente para compensar.

Mesmo assim, isso não significa que você tenha uma “licença para matar” a língua portuguesa a todo momento. O advogado precisa ter fluência na língua. Desse modo:

  • Nunca, nunca mesmo, agradeça “a todos e a todas”, pela presença na palestra. Basta agradecer “a todos os presentes” ou “a todos”.
  • Nunca fale “gratuíto”. Isso mesmo. A palavra que se refere à gratuidade é escrita sem acento agudo, e pronunciada também sem o acento agudo.
  • Lembre-se que a expressão “né?!” não serve como conectivo entre frases. Então não a use cinquenta vezes numa palestra, como já vi acontecer.

2. Dedicar tempo em excesso para agradecimentos

Já perdi a conta de em quantas oportunidades vi um advogado perder um tempo enorme apenas para cumprimentar cada uma das almas presentes na mesa de debates de um evento. Isso é um problema.

Primeiro, existe a dificuldade (e o risco) de se lembrar corretamente do nome e função de cada um. Segundo, existe a desnecessidade de fazer isso. O foco da palestra é seu público, e ele não gosta nem um pouco quando o cerimonial atrasa em detrimento do assunto sobre o qual ele se interessou ao ir até o local do evento.

Isso não é ser gentil com os integrantes da mesa. Também não é uma tática eficiente de marketing. É perda de tempo mesmo.

Um cumprimento mais genérico, agradecendo o convite, é mais adequado, e muito mais agradável ao público que acompanha o evento.

  • Exemplo: “Quero cumprimentar a todos da mesa, na pessoa de Fulano de Tal, que muito gentilmente cedeu este espaço para que esta palestra pudesse ser realizada.” Já é o bastante.

3. Falar em linguagem excessivamente jurídica

Esqueça o “juridiquês” sempre que possível. O propósito da comunicação é alcançado quando seu público consegue acompanhar seu raciocínio, e não quando você pronuncia um dicionário de palavras jurídicas em sequência.

Evite expressões em latim, e procure sempre utilizar uma linguagem que possa ser absorvida pelas pessoas que ouvem seu discurso.

  • Exemplo do que não fazer: “O escopo desta modalidade de instrumento de concretização volitiva é salvaguardar…”;
  • Como corrigir: “O objetivo deste tipo de contrato é proteger…”.

Naturalmente, procurei exagerar no exemplo a fim de mostrar mais claramente o que o advogado deve evitar.

Ressalte-se que é possível utilizar certas palavras desde que imediatamente você as traduza para a plateia. Porém, não é o ideal.

4. Citar jurisprudências e doutrinas desnecessariamente

O público-médio que vai acompanhar suas palestras é formado por pessoas que não entendem as particularidades da área jurídica.Colar dez ementas de julgamento em seus slides não vai servir para muita coisa. Já seria algo de utilidade questionável para uma plateia jurídica, quanto mais para uma não-jurídica.

Da mesma maneira, sempre se questione a respeito da eficácia de citar três autores alemães, dois italianos e mais cinco brasileiros, apenas para defender um determinado posto de vista.

O foco da apresentação do advogado deve ser fornecer conteúdo relevante, útil e prático, para seus ouvintes. Qualquer desvio desse objetivo afetará a qualidade do que está sendo dito.

5. Ter uma postura arrogante

Uma das melhores chaves para você conseguir empatia com seu público, é não querer se colocar acima dele.

O nome dessa chave se chama humildade.

Humildade não é deixar os outros pisarem em você. É você não fazer questão de se afirmar perante quem quer que seja, por conta de algo que você já fez. Não fazer questão. Ponto.

Assim sendo, evite ao máximo qualquer coisa que na mente da sua plateia possa ser entendida como arrogância.

Aqui vão algumas advertências nesse sentido:

  • Se for ministrar uma palestra, não a comece com dez minutos de leitura do seu currículo invejável. Vá por mim. As pessoas querem sim saber quem você é, e porque você pode falar a respeito do assunto que escolheu, mas não dessa maneira. Se for o caso, cite seu currículo rapidamente;
  • Evite enxergar seu público de cima para baixo. Mesmo que você esteja em um palco elevado, ainda assim é possível olhar para a plateia em tom de igualdade. Queixo levantado e postura corporal arrogante, apenas a afastam de você;
  • Não trate as pessoas de sua plateia como crianças birrentas.Coisa odiosa é o palestrante/professor/orador que resolve criticar o próprio público, e durante a palestra. Há casos e casos, mas na maioria absoluta das vezes, se o público se tornou disperso e desatento, a culpa é sua;
  • Não fale gritando o tempo inteiro. Não dê a sua palestra como se você fosse um profeta do Apocalipse. Isso é extremamente desgastante. As pessoas não gostam do que você fala. Elas ficam intimidadas com o que você fala. Você ganha o medo delas, e não o respeito;
  • Aperte a mão das pessoas. Cumprimente-as. Olhe nos olhos delas. Ajude quem te procurar. Tire dúvidas de quem precisar. Lembre apenas de fornecer esse auxílio sempre no limite do que não possa ser classificado como uma consulta jurídica. Tudo com equilíbrio, é claro. Saiba filtrar quem é terra fértil e merece a semente da sua atenção, e quem é terra seca, e só quer sugar seus esforços.

Finalizando

Por fim, cumpre registrar que o foco deste artigo foi apontar os cinco erros mais comuns cometidos pelos advogados, em palestras informativas realizadas para prospectar clientes.

Qualquer outro tipo de palestra exigiria uma análise específica.

Até uma próxima oportunidade.

Sucesso.

André Luso

Texto original: http://daviddavidsson.jusbrasil.com.br/artigos/316923173

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X