Neuroplasticidade para Advogados?

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Por muitos anos reinou a teoria de que o cérebro adulto é composto por regiões distintas, cada uma responsável por uma função separada. Nessa teoria presume-se que a visão está em uma parte, memórias em outra (com seções separadas para memórias de curto e longo prazo), cheiro , fluência verbal, processamento quantitativo em outras partes. Nessa ideia presume-se que o número de neurônios é fixo e sua fiação soldada.

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Mas uma ciência emergente chamada neuroplasticidade mostra uma nova ideia: ao invés de fixo e imutável, as conexões neurais entre diferentes “regiões” do cérebro podem se reorganizar. É por isso que alguém com danos cerebrais em uma parte do cérebro pode muitas vezes recuperar- se. A neuroplasticidade permite que uma seção saudável do cérebro assuma o papel da seção danificada. É também a forma como aprendemos, formamos lembranças e desenvolvemos novas habilidades.

 

A PNL (Programação Neuro-Linguística) concorda com a ciência da Neuroplasticidade. Na verdade, é a Neuroplasticidade que concorda com a PNL, pois a PNL sugere que o cérebro se desenvolve quando novas habilidades são adquiridas e isso desde os anos 70 quando foi criada. A PNL sabe que o número de conexões do cérebro aumenta quando se aprende ou se desenvolve coisas novas. Podemos dizer então que PNL e Neuroplasticidade se complementam como ciência de educação e desenvolvimento da mente humana.

A neuroplasticidade se refere ao fortalecimento (ou diminuição) das vias neuronais existentes (plasticidade sináptica), ou ao estabelecimento de neurônios e conexões inteiramente novos (plasticidade estrutural). A PNL se refere a como podemos aproveitar a Neuroplasticidade a nosso favor.

Depois de muito estudo, agora sabemos que a neuroplasticidade existe, assim como sabemos que a PNL também existe. Mas para que serve a Neuroplasticidade, e por que devemos nos preocupar em preservá-la ou melhorá-la?

A maioria das doenças neurodegenerativas é acompanhada por uma perda de neuroplasticidade, incluindo a doença de Alzheimer, a doença de Huntington e a doença de Parkinson. A esquizofrenia também pode ser um “distúrbio da neuroplasticidade”. A perda de neuroplasticidade ainda caracteriza um leve comprometimento cognitivo. Pode muito bem ser o caso que um cérebro menos plástico ajude no envelhecimento precoce do mesmo. Se pudermos aumentar a neuroplasticidade ou impedir sua degradação, talvez possamos mitigar o efeito mais assustador do envelhecimento: a perda da função cognitiva.

A neuroplasticidade não é totalmente positiva, é claro. A depressão é freqüentemente associada a neuroplasticidade. Ou seja, uma plasticidade negativa que estabelece padrões de pensamento desagradáveis, não benéficos. Mas isso é facilmente modificado por alguém que conheça a PNL. Afinal com a aplicação de ferramentas de PNL, podemos mudar padrões de comportamento, por exemplo, que causam a depressão.

Fundamentalmente, a neuroplasticidade nos permite nos adaptar, responder, evoluir em tempo real para um ambiente em mudança. Quer se livrar de maus hábitos e estabelecer bons? Quer adquirir uma nova habilidade? Quer permanecer cognitivamente fluido e mentalmente flexível à medida que envelhece?

Então, é melhor você manter a plasticidade saudável do cérebro. Utilize a PNL para fazer as coisas escritas acima (mudança de hábitos, pensamentos, comportamentos…). Além da PNL, outra maneira de deixar seu cérebro mais saudável é fornecer os substratos básicos necessários para a manutenção da neuroplasticidade. A falta deles irá definitivamente prejudicar a nossa capacidade de crescer novos neurônios, estabelecer novas conexões e fortalecer os existentes.

Outro mediador importante da plasticidade é o fator neurotrófico derivado do cérebro, ou FNDC (BDNF sigla em inglês), que regula o crescimento axonal e a remodelação, bem como a formação e função da sinapse. Os axônios são as estruturas (relativamente) longas e delgadas que ligam dois neurônios; Sinapses são as junções onde os axônios se conectam aos neurônios. BDNF é notavelmente “dependente de atividade”, o que significa que podemos afetar sua expressão através da realização de certos comportamentos.

Então, vejamos o que podemos fazer para manter e aumentar a Neuroplasticidade:

Obter bastante magnésio

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Você sabe que qualquer artigo sobre magnésio começa falando sobre como ele está “envolvido em mais de 400 funções fisiológicas“? Neuroplasticidade é uma delas. O aumento de plasticidade sináptica e o número de conexões sinápticas aumentaram o desempenho cognitivo em testes de memória espacial e associativa. O magnésio também aumenta a plasticidade no córtex visual de camundongos. Os estudos em humanos são escassos, mas sabemos que os pacientes com Alzheimer têm níveis de magnésio inferiores no cérebro.

Obter colina suficiente

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Usamos colina para produzir acetilcolina, um neurotransmissor necessário para a plasticidade neuronal. Duas formas de colina em particular- CDP colina e Alpha-GPC- se mostraram eficazes no aumento da plasticidade do cérebro após acidente vascular cerebral. A gema de ovos pasteurizados não contém muita colina concentrada como alguns suplementos, mas eles ainda são a fonte natural mais rica e também contêm muitos outros nutrientes que são amigos do cérebro (selênio, colesterol, DHA).

Dormir

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O sono pode ser o nutriente mais essencial para neuroplasticidade. O cérebro, quando privado de sono, fica hiperconectado. Fica confuso com conexões, denso com informações nervosas. O sono restaura isso. O sono proporciona uma limpeza suave do cérebro, dando-lhe a abertura necessária para estabelecer novas conexões, formar novas memórias e aprender novas habilidades.

Comer peixe

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Estudos em animais revelam que as gorduras ômega-3 aumentam a neurogênese no hipocampo, a plasticidade sináptica e a potencialização em longo prazo dos comportamentos aprendidos. Nos seres humanos, a ingestão de peixes está consistentemente ligada à diminuição das condições que formam a plasticidade cerebral negativa. Por exemplo, ajuda na proteção contra a depressão / idéia suicida e também ajuda contra leves comprometimentos cognitivo.

Comer açafrão (curcumina)

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Em ratos com depressão, a curcumina melhora a plasticidade neuronal enquanto reduz os sintomas depressivos. Em seres humanos com transtorno depressivo maior, a curcumina reduz os sintomas. Embora a evidência humana permaneça circunstancial, existe a confiança de que a cúrcuma / curcumina pode auxiliar a neuroplasticidade. No mundo todo há mais de 100 espécies da família Cúrcuma. Alguns benefícios da Cúrcuma são a ação antienvelhecimento e antioxidante, além disso, segundo uma pesquisa da Universidade da Califórnia, é capaz de reduzir o risco da doença de Alzheimer.

Mova-se freqüentemente em um ritmo lento

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Comparado ao treinamento de força, o treinamento aeróbio é um reforço muito mais potente do BDNF (fator que regula o crescimento axonal e a remodelação, bem como a formação e função da sinapse). Um estudo em ratos ainda mostrou como o funcionamento pode inibir a diminuição de neuroplasticidade que geralmente ocorre após um acidente vascular cerebral. Isso não é para sugerir que o treinamento de resistência é inútil para a função cognitiva. De fato, um artigo recente descobriu que os ganhos de força, mas não os ganhos aeróbios, em resposta ao treinamento foram associados com melhorias cognitivas no comprometimento cognitivo leve.

 

Arrancada

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Sprinting é uma maneira ainda melhor para impulsionar BDNF. Sprinters têm altos níveis de crescimento de axônios e também altos níveis de formação de novas sinapses. Sprinters profissionais possuem níveis mais elevados de neuroplasticidade do que amadores.

 

Seja intenso

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A intensidade parece ser o mediador chave nos aumentos da neuroplasticidade induzidos pelo exercício. Imaginamos que qualquer exercicio com bastante intensidade fará o truque: um CrossFit, vinte repetições de agachamento, um jogo de frisbee, uma corrida, musculação, ou qualquer coisa que você se dispuser a fazer.

 

Jejuar

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Fique sem alimento por 12-24 horas. O jejum é uma maneira segura de aumentar os níveis de BDNF. Ainda tem uma bonificação: o jejum também aumenta a autofagia neuronal. Autofagia é o processo de limpeza e reciclagem das células. Se este processo estiver desregulado, pode levar a muitas patologias neurodegenerativas como Alzheimer ou o Parkinson.

 

Mitigar o estresse

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O estresse amortece a neuroplasticidade no hipocampo e no córtex pré-frontal, aumentando-o na amígdala (nosso”cérebro reptiliano” associado ao medo, à raiva, à ansiedade e a outras respostas emocionais autonômicas). O estresse vai acontecer! O que importa é a nossa resposta a ele e se vamos mitigar seus danos. E como abrandamos esses efeitos nocivos? Estabelecendo as bases para uma função cerebral saudável com os nutrientes necessários, insumos de treinamento, sono e fatores de estilo de vida – para que você possa aproveitar a plasticidade natural do cérebro. Mas como a PNL sugere, você ainda precisa agir, experimentar coisas novas e exercer essa plasticidade.

Quais são suas idéias de ação?

 

Preencher as lacunas

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Escolha um exercício, como pular por exemplo. Sempre que você tiver a chance de fazer esse movimento (pulo), faça. No seu dia você deve ter algum tempo desocupado, preencha essa lacuna de tempo fazendo o exercicio. Você pode dar cinco ou seis pulos de cada vez, um por hora ou a cada trinta minutos, ou pode pular toda vez que for ao banheiro. Assim, até o final do dia você terá dado de cinqüenta a sessenta pulos sem ter que se sacrificar. Apenas comece, em algum momento ficará melhor, mais nítida e suave, e você nunca vai fracassar. Você estará construindo novos caminhos neuronais para esse movimento quando você executá-lo com freqüência, sem excesso tensão e estresse.

 

Procurar novidades

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Seguir sempre a mesma rotina cotidiana reduz a Neuroplasticidade na questão da percepção e também há custos metabólicos de experimentação. Pode ser bom para a sobrevivência básica, mas também significa que nossos cérebros não estão trabalhando duro ou ao máximo de sua capacidade. Para buscar a novidade, a PNL ensina: Pegue um caminho diferente para trabalhar, experimente algo novo e talvez assustador, visite uma parte diferente da cidade, experimente um novo restaurante – você será menos eficiente, mas seu cérebro estabelecerá novos caminhos. Os seres humanos já são candidatos perfeitos à novidade e, por uma boa razão: é como aprendemos, vivenciamos e, finalmente, vivemos mais plenamente no “agora”.

 

Aprender um instrumento

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Se você já toca algum instrumento, aprenda outro. Se você toca um instrumento de cordas, aprenda um de sopro. Se você toca um com teclas, aprenda um de percussão. O treinamento musical tem profundos efeitos positivos sobre a neuroplasticidade. Abordar um assunto difícil, mas interessante, faça um mergulho profundo em um assunto que lhe interessa. Leia um livro, faça um curso on-line ou presencial, assista a uma palestra, vá a um seminário, traduza uma música. Certifique-se que o esforço é real, mas não deixe que a dificuldade seja o único critério. Engajamento é tão importante quanto.

 

Aprender um idioma

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Não há melhor maneira de testar e treinar sua neuroplasticidade do que aprender uma forma inteiramente nova de comunicação. O melhor é aprender uma língua mais desafiadora. Que tal aprender Mandarim?

 

Psilocibina

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Pesquisas mostram que o aumento da psilocibina reduz a depressão e extingue o medo condicionado. Também reduz a reatividade (plasticidade negativa) na amígdala e melhora o bem-estar (plasticidade positiva). Ainda é ilegal, mas provavelmente não por muito tempo. Se você tem a chance de experimentar psilocybina ou cogumelos mágicos, faça-o com um guia experiente ou clínico.

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Uma vez que a neuroplasticidade nos permite engajar, aprender e experimentar o mundo ao nosso redor, acabamos por descobrir que existem centenas, talvez milhares de maneiras de ativá-la. Sabemos que vocês têm alguma sugestão. Então vamos ouvir: Como você treina seu cérebro? Qual é a sua maneira favorita de aumentar a neuroplasticidade?

Nossa dica: Pratique muita, mas muita PNL mesmo.

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Fonte: Claudio Lara